Rogério Ribeiro
Rogério Ribeiro (1930-2008) nasceu em Estremoz (Portugal). Nos anos 50, ingressa na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Nessa altura inicia o seu caminho enquanto pintor, estando em contacto com diversos artistas, entre os quais Júlio Pomar e Cipriano Dourado; participa também, pela primeira vez, nos Salões de Arte organizados pela SNBA. No final da década conclui a licenciatura em Pintura na mesma instituição. Paralelamente, o seu trabalho explora outras técnicas tais como tapeçaria, cerâmica, gravura, e ainda colaborações com arquitetos de referência, resultando em trabalhos como a colaboração com as Tapeçarias de Portalegre (1961) ou a série de desenhos incisos policromados nos edifícios dos arquitetos Nuno Teotónio Pereira e António Pinto Freitas (1959, Bairro dos Olivais-Norte, Lisboa). No anos 60 inicia a sua carreira no ensino como professor de Pintura e Tecnologia na Escola de Artes Decorativas António Arroio; em 70’, na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e mais tarde em 80’, professor de Iniciação à pintura no Ar.Co,. Fundador da primeira Galeria Municipal de Arte em Almada, Rogério Ribeiro foi também responsável pelo projeto Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, um dos principais centros culturais do concelho de Almada.
É de especial importância a sua participação na icónica Exposição de Artes Plásticas, edição I e II em 1957 e 1961, tendo sido estas as duas primeiras exposições organizadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, a primeira manifestação pública da instituição no campo das artes plásticas. Tratou-se de uma iniciativa significante para este sector pois propunha uma mostra da presente realidade da produção artística em Portugal.
Rogério Ribeiro participa nessa exposição com a obra Mondadeiras, 1961 e o seu trabalho atraiu a atenção do público pela liberdade estética que retratava, desprendida da dominante da altura, apelando a novos valores artísticos e à exploração das vias do abstracionismo.
Como escreveu Eduardo Paz Barroso, este é “um quadro onde manifestamente a nitidez das figuras se diluiu, e onde as manchas de cor estruturam o espaço em profundidade, definindo uma relação entre o céu e a terra. Ecoam nesta tela referências a uma faina agrícola que o título, de resto, se encarrega de lembrar. Mas observam-se também aspetos abstratizantes, evidenciados numa linguagem que privilegia uma certa ambiguidade e concede primazia aos ritmos, permitindo à tela capturar movimentos.” (1)
NOTAS
(1) Eduardo Paz Barroso, Rogério Ribeiro, A pintura entre teatros da história, Lisboa, Editorial Caminho, 2007, p.16
